Vivemos em uma sociedade apressada e algumas vezes atropelada, por conta de informações instantâneas que na sua grande parte inviabiliza a possibilidade de reflexão, e do desenvolvimento de um pensamento avaliativo e crítico. Diante de uma escolha e busca de realização profissional tão importantes, a orientação vocacional/profissional não pode ser concebida em um cenário que a sociedade nos oferece.
Segundo Bauman, vivemos em uma sociedade líquida atualmente, e todas as esferas dessa sociedade também se tornaram líquidas. As relações humanas, o estudo, a profissão, as posses, as crenças e valores, tudo, absolutamente tudo, se tornou ou está se tornando líquidos. Como enfrentar essa dura realidade? O melhor caminho que podemos seguir é dar tempo ao tempo, cada área da vida social sendo trabalhada, respeitando as etapas que elas exigem.
A orientação vocacional/profissional e de carreira é um oásis no deserto sem fim das escolhas profissionais. Ela não pode basear a sua prática numa corrida por resultados, que desvaloriza a duração do tempo de compreender, e as condições que um processo produz. Portanto, o objetivo de uma orientação vocacional/profissional e de carreira, deve ser auxiliar o adolescente e o jovem na construção de si no mundo por meio de um projeto. Mas que tipo de projeto seria esse?
O projeto é composto por uma articulação das escolhas que a pessoa faz, um processo que demanda uma estratégia, ou seja, uma intencionalidade em sua vida profissional, o que implica uma antecipação do futuro. O projeto vai atuar em duas dimensões: a da subjetividade e identitária de construção do projeto de vida profissional, que visa o sentido de vida. É a dimensão operativa instrumental de construção de um plano de ação profissional, que visa um conjunto de ações para atingir um objetivo, que no caso, a escolha de uma profissão.
Assim, propicia-se ao adolescente e ao jovem uma experiência significativa e própria em que o processo é, em si, mais importante do que a escolha, porque nele, reside a possibilidade de apropriação e construção de algo próprio. Lacan (1998), fragmenta esta experiência significativa em três tempos: o instante de ver, o tempo para compreender e o momento de concluir. O primeiro e o terceiro são tempos mais instantâneos, por isso as palavras “instante”, “momento”. Já o tempo de compreender seria aquele em que realmente precisa-se de tempo, de processo, de duração, de construção. É uma experiência não precipitada no resultado ou a uma conclusão, que se daria somente no terceiro momento.
A orientação vocacional/profissional e de carreira precisa seguir essa ordem, pois caso contrário, faltarão elementos fundamentais que propiciem ao adolescente e ao jovem uma escolha mais coerente e esclarecedora.
Referência:
Orientação Vocacional e de Carreira em Contextos Clínicos e Educativos – 2015 Edição Português,Rosane Levenfus, Artmed. Porto Alegre.




